

Como virei jornalista: uma história de escolha e acaso
1975. Fazia o colegial no Objetivo em São Paulo e vivia “fora do mundo”. Um dia, meu primo Luiz me perguntou: “O que você vai prestar no vestibular?” Fiquei intrigado: eu nem sabia o que era vestibular. Acabei descobrindo que seria dali a cinco meses e, pela primeira vez, me questionei sobre uma futura profissão. Estudava em uma turma de Exatas, mas engenheiro eu não seria. De matemática e física eu não entendia nada. Gostava mesmo de história. Naquele devaneio, cravei: quero


A camisa de "Gola Olímpica"do Caetano
Caetano Veloso e a camisa do Festival de 1967 Todo mundo assistia aos Festivais de Música Popular Brasileira da TV Record. E, em 1967, foi o ano em que um raio caiu duas vezes no mesmo lugar: Caetano Veloso e Gilberto Gil chegaram ao mundo juntos. Gostei do Gil, mas me liguei no Caetano. Magro, cabelão encaracolado, simpático, sorridente, estiloso. Nunca tinha visto uma camisa como a que ele usava, com um colarinho que subia enrolado no pescoço. Minha mãe disse que se chamava


Correspondente brasileiro em Londres: encontro com a história
Encontro marcado com minha história Uma das grandes burradas que fiz ao me mudar para a Europa, pensando em ser correspondente internacional, foi não ter levado comigo uma máquina de escrever. Dá para acreditar? Mas foi assim. Somente em 1986, quando morávamos em meio ao Clapham Common, parque gigante ao sul de Londres, encontrei à venda em um brechó ali perto uma daquelas Remingtons antigas, pesadas, cinza-escuro, com teclas pretas em escadinha. “Martelei” muito nela. Escre


Escalpelamento Literário
Memórias da Livraria Siciliano em São Bernardo Meus livros possuem “chaves de memória”. Pode ser uma capa, uma anotação rabiscada à margem, o ingresso de um jogo de futebol de 30 anos atrás usado como marcador de página. Quando eu os folheio e bato o olho em um desses vestígios, em um passe de mágica roda um filme em minha cabeça, com detalhes fulgurantes na forma de pessoas, palavras, cores, cheiros, sentimentos. Admirando uma edição antiga do livro Casa Grande & Senzala, do


O precursor dos pichadores
Cão Fila KM26: a pichação que virou lenda no Brasil Há uns 50 anos, bastante tempo, quem andava pelas precárias e poeirentas estradas do Brasil frequentemente dava de cara com uma pichação feita em barrancos, em latões, nas paredes de construções abandonadas, atrás de placas de sinalização, debaixo de viadutos, muros, ou seja, em qualquer lugar em que desse para escrever, uma frase enigmática: “CÃO FILA KM26”, marcada em pinceladas grossas de tinta branca. Às vezes, vinha res


A primeira humilhação a gente nunca esquece
Antes de publicar nas redes sociais, é preciso compreender a estratégia da empresa. Comunicação não começa pelo post, mas pelo diagnóstico do negócio. Sem direção, o conteúdo vira improviso e compromete o posicionamento da marca.

