O “NOVO NORMAL” SERÁ UM MAR DE OPORTUNIDADES


Aposto que você já ouviu a expressão “novo normal”. E aposto também que se alguém pedir para você explicar o que isso significa, você dará uma explicação diferente a cada vez que falar do assunto, porque o novo normal é um normal mutante. Ou melhor: vai mudar sempre e cada vez mais rápido. O funcionamento do mundo, que já vinha se acelerando, ganhou uma velocidade ainda maior com a pandemia, cuja capacidade disruptiva está redesenhando a forma como vivemos.

Não é apenas uma questão de velocidade de desenvolvimento tecnológico (abro um parêntese: ainda estamos raspando a superfície nessa área. Vem aí a inteligência artificial, que dará, aos seus gestores, o controle da “cabeça” dos humanos e do mundo. Fecha parêntese). Derivada da tecnologia e seu uso, a mudança que nos atinge hoje é também a da mudança dos costumes, de hábitos. Viramos novos consumidores em novos mercados. Os impactos são imponderáveis.

Começando agora, compraremos cada vez mais por internet. Isso vai afetar grandes cadeias e pequenas lojas do comércio de rua. Vai mudar a logística. O modo de vida. Vamos fazer cada vez mais home office. E com ele, um novo perfil profissional será cada vez mais exigido. Assim por diante, a cada mudança, os efeitos em cadeia se multiplicarão. Com consequências imprevisíveis. Um exemplo: o que acontecerá com os grandes escritórios e o mercado imobiliário? Ou ainda: o que esperar da telemedicina?

É bom lembrar: as pessoas mudam junto com a tecnologia. O retorno ao “normal”, ou ao menos a um conceito de normalidade como algo fixo e definido, fica ainda mais difícil por conta de um fator adicional: a algoritmização das opiniões. A internet está fazendo com que encontremos nossos pares de pensamento ao redor do planeta. Nos unimos em torno de gostos, preferências, ideais. Formamos “tribos”, com alto poder de aglutinação e rapidez viral de mobilização. Algumas dessas movimentações são gigantescas. O “Fora racismo”, que uniu os antirracistas ao redor do mundo, teve efeitos visíveis e imediatos até no Brasil. A Globonews fez história ao promover um debate sobre o preconceito racial com um apresentador negro e cinco debatedores negros há algumas semanas.

Vivemos um momento e um movimento tremendos. E as marcas devem prestar muita atenção a essas novas circunstâncias. Em um novo mundo no qual o “novo normal” tende a ser a combinação de uma geleia de diversas opiniões com uma ciranda contínua de novas situações, as empresas precisarão saber se posicionar. Um passo em falso nesse ambiente pode ser fatal. A rede de fastfood Madero perdeu clientela por comentários considerados desrespeitosos com relação às vítimas da Covid-19.

Os mercados deverão ser cada vez mais segmentados, fluidos, móveis. As pessoas tenderão a escolher produtos e marcas pela conveniência ditada pelas circunstâncias ambientais e, também – e talvez especialmente – pelos valores defendidos pelas marcas e “validados” por suas redes de relacionamento profissional e social.Isso exigirá das empresas um posicionamento claro. Entender realmente seus valores e transformar esse posicionamento em verdade na gestão, na sua política de recursos humanos, no desenvolvimento de produto, na sua postura de sustentabilidade... em todas as suas manifestações produtivas, comerciais e de relacionamento com funcionários e clientes. E ter a coragem de defender essa posição abertamente.

A Ambev acaba de se recusar, publicamente, a fazer uma campanha do “orgulho hétero” depois de ter apoiado o movimento do orgulho LGBT. É uma escolha. É a indicação de um caminho. Existem muitos caminhos, existem muitas “tribos”, muitos mercados.

O “novo normal”, de repente, será uma ampla piscina de opções para as empresas.


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