SETE LAGOAS COMEÇA A REDESENHAR SEU DESTINO


Este post é sobre “place branding”, mas vou começar com uma historinha.

Tendo vivido anos fora do Brasil, pude testemunhar que a força das nações mais desenvolvidas não está verdadeiramente em seus recursos naturais, nas armas ou no alcance econômico de suas empresas, mas na organização de seus cidadãos em torno de uma ideia ou de um ideal. É o poder da sociedade organizada. É também a fortaleza de uma sociedade que acredita em si mesma e que trabalha em conjunto, apesar de diferenças e dificuldades. Nós brasileiros temos o hábito de desmerecer, a princípio, tudo o que realizamos em função daquilo que Nelson Rodrigues muito precisamente nomeou de “complexo de vira-lata”. Além disso, costumamos transferir a responsabilidade de nossas desgraças aos outros. A culpa pode ser dos portugueses, dos ingleses, da CIA, dos comunistas e por aí vai. É difícil assumir que o problema está com a gente mesmo.

Não deixa de ser surpreendente, portanto, o que acontece hoje em Sete Lagoas (e aqui voltamos ao “place branding”). A cidade está sendo mobilizada para escolher, por voto digital, uma nova logomarca municipal que deverá servir como catalisador de um movimento de renovação do espírito coletivo e comunitário que, no passado, foi responsável por muitos dos grandes momentos de desenvolvimento e progresso da cidade. Espírito esse que parece ter-se perdido: vive-se hoje uma fuga de talentos da cidade, por exemplo.

A campanha não é de agora. Ela “nasceu” há mais de dois anos, quando empresários do setor hoteleiro da cidade se reuniram na Associação Comercial e Industrial em busca de soluções para incentivar o turismo local. Com a ajuda da ACI, buscaram ajuda no Sebrae e, pacientemente, laboriosamente, penosamente, conseguiram firmar-se como grupo (batizado Grupo UAI) e colocaram em andamento um plano de ações estruturado. “Foram dezenas de reuniões e houve momentos em que a gente achava que não ia dar certo”, lembra Heloisa Frois, superintendente da ACI.

Entre as atividades estão a proposição de uma lei municipal que busca regular eventos em um envelope de qualidade e segurança, um site onde o calendário de atividades artísticas, culturais e esportivas são listadas para evitar competição entre elas, encontros de mobilização e conscientização da comunidade pela qualidade e oferta de melhores serviços. Além disso, a ação mobilizou o setor de comunicação e eventos da cidade, que passou a colaborar entre si. O grupo cresceu ao atrair apoio de diversas entidades, empresas e associações, e conseguiu, por exemplo, levar à cidade a “Engenharíada”, uma “olimpíada” entre escolas de engenharia do Estado que, durante 3 dias em 2019 trouxe 4.000 pessoas à cidade. O impacto na economia local foi espetacular. “As pessoas me ligavam pedindo socorro porque não conseguiam emitir notas de venda de tanto movimento que geramos”, conta Arísio França Júnior, vice-presidente do Grupo UAI.

Em função de todo esse esforço, o grupo ganhou do Sebrae uma consultoria de “marca”, o tal “place branding”, pensada como uma forma de “destacar a cidade no mercado e resgatar e fomentar a autoestima da população, despertar o sentimento de orgulho e pertencimento, atrair e reter talentos, turistas e negócios”, conforme está explicado no site onde acontece a eleição. O slogan é “Sete Lagoas Vive” e o movimento já tem o apoio de mais de 40 empresas e instituições da cidade, incluindo a Prefeitura e a Câmara Municipal.

“Com o passar dos anos nós, os cidadãos, perdemos por algum motivo o amor pela cidade. Esperamos que com essa campanha, possamos ao menos iniciar esse resgate”, explica Gabriel Ferrari Oliveira, presidente do Grupo UAI.

Não é bacana tudo isso?

Ah, se quiser votar na nova logo da cidade, fique à vontade: https://vivasetelagoas.com.br.


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