A força para superar a doença está dentro de nós mesmas.


Apesar dos avanços da medicina e de todas as campanhas de conscientização, o estigma que cerca o câncer de mama ainda é grande em nossa sociedade. Mas ele está aí, como um fantasma que não sabemos se baterá à nossa porta. Por meio de pessoas próximas, amigas e familiares, a doença já visitou a minha vida várias vezes. Quando ela surge é sempre um baque. Não sabemos ao certo como reagir, há desorientação e até um certo desespero. Mas aos poucos a razão fala mais alto e começamos a trabalhar nossos sentimentos para o enfrentamento da assombração. Não é fácil.

O tratamento é invasivo e provoca muitas reações. Queda cabelo, ansiedade, insônia, náuseas, vômitos, anemia, fadiga, muita fadiga. É importante estar ao lado dessas pessoas queridas. Conversar, telefonar, mostrar empatia e acima de tudo falar sobre a doença abertamente, sem preconceito, como uma forma de expurgar toda a carga emocional negativa que a cerca.

A forma como as mulheres enfrentam a doença é uma inspiração para todas nós. Acompanhando tantos casos, percebi que cada pessoa reage à doença de maneira diferente e isso me surpreende sempre, pela coragem, pela força e até mesmo pela irreverência que essas mulheres demonstram. Minha mãe, por exemplo, sofreu bastante no tratamento, mas enfrentou o problema com a segurança de sempre e segurou a barra da família, que estava mais assustada que ela.

Uma amiga próxima, quando os cabelos começaram a cair, não usou peruca ou lenços para disfarçar. Ela assumiu a alopecia e “ousou” se apresentar socialmente com a cabeça lisa. Achei o máximo. Demonstrou uma bravura enorme. Lembro-me dela, em uma festa, onde as pessoas a olhavam enviesado, evitando o contato direto. Outra amiga, teve um comportamento mais recluso e resolveu enfrentar o câncer de forma mais privada. Outra, muito vaidosa, fazia questão de hidratar a pele, usar uma maquiagem leve e vestir peruca sim!

Afinal, o importante é se sentir bem, não importa a forma, e encontrar a força para superar a doença onde ela está: dentro de nós mesmas.

PS. Todas venceram a doença. Todas faziam exames regulares e descobriram os tumores ainda na fase inicial. Portanto, mulheres, não deixem de se tocar e fazer anualmente a mamografia.


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