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Jovens buscam narrativas de esperança

  • 22 de mai.
  • 2 min de leitura

Narrativa de esperança e o futuro da liderança


Eis um problema na mesa dos CEOs das empresas: os jovens não querem assumir maiores responsabilidades. Não querem liderar. E antes que se fale de “falta de ambição”, talvez seja interessante abordar o problema pelo ponto de vista dos jovens. Se fizermos isso, vamos nos surpreender: talvez seja por “sobra de lucidez”.


Essa é a conclusão do artigo The Leadership Aspiration Gap, de Ron Soonieus, do Insead. Ele cita pesquisa da Delloite com 23.000 jovens de 44 países, que indica que apenas 6% deles têm como meta principal de carreira chegar a cargos de liderança. Sua conclusão: o problema não está nos jovens e, sim, no modelo de liderança que oferecemos a eles.


Millennials e Gen Z estão fugindo de posições de status e bons salários porque a pressão e o “medo” são palpáveis. Para eles, o mundo corporativo tradicional, acelerado e pressionado por crises financeiras, climáticas e políticas, não favorece propósito, equilíbrio entre vida pessoal e profissional nem modelos de liderança baseados em colaboração e influência.


Sooneius aponta que o que falta é uma nova narrativa que substitua o fardo pelo propósito, o status pelo impacto, o medo pela esperança.


E quando se fala de narrativas, fala-se de Comunicação.


Os jovens não querem mais os cargos de liderança que as empresas hoje lhes oferecem. Não é por falta de ambição: é que eles olham o mundo em volta e descobrem que o modelo tradicional de liderança talvez tenha se tornado pesado demais. Em troca de posições de alta visibilidade, grandes responsabilidades e bons salários, carregam-se fardos sem propósito, rotinas de baixo significado, onde o medo substituiu a visão e a gestão do curto prazo consume o olhar para o futuro.


Quais as conclusões do artigo de Ron Soonieus?


A nova geração não quer subir ao topo para gerenciar crises intermináveis ou para ser alvo de ataques pessoais em um debate público que se tornou intransigente. Ela quer liderar para moldar, não para apagar incêndios. Quer liderar porque acredita que pode construir algo melhor, não porque o cargo oferece uma imponente “sala de canto” ou um pacote de compensações importante.


Millennials e Geração Z já redefiniram: sucesso não é a posição hierárquica, mas o impacto gerado e o equilíbrio conquistado. Eles abraçaram modelos como liderança por influência, colaboração e propósito, não por autoridade formal. Eles não querem herdar o mundo como ele é; querem participar ativamente da construção do mundo como ele poderia ser.


Aí entra o conceito da narrativa da esperança. O argumento de Soonieus é que os jovens não têm esperança de ocupar um cargo, mas de transformar sistemas; de liderar com propósito, não com medo; de que é possível ser resiliente sem ser duro, consistente sem ser autoritário; de que liderança remete a futuro, não a status. É a esperança de que é possível navegar a complexidade sem perder a integridade.


O Caminho para essa nova narrativa


Substituir as narrativas dominantes sobre clima, economia e tecnologia, marcadas pelo catastrofismo, por discussões sobre inovação e progresso com a participação de todos.

 
 

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