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BLOG PIQUINI

A Matrix que aprisiona o jornalismo

  • há 2 dias
  • 2 min de leitura
Arte da PIQUINI com fundo claro e tipografia em roxo destacando o título "A Matrix que aprisiona o jornalismo". A imagem apresenta o dado de que, nos Estados Unidos, 3.500 jornais fecharam e o emprego de jornalistas caiu 60%, de 75 mil para 30 mil postos nos últimos 20 anos, com base na pesquisa da Medill Local News Initiative, da Northwestern University. Na parte inferior, a mensagem: "Os jornais utilizaram a vitrine das redes e perderam o controle da circulação." A arte acompanha um artigo sobre inteligência artificial, plataformas digitais e os desafios do jornalismo na economia da atenção.

IA, jornalismo e plataformas: existe saída da Matrix?

Todos já vimos o filme Matrix, no qual um sistema criado pela IA controla a mente das pessoas e, assim, escraviza a humanidade para extrair a energia bioelétrica produzida pelos corpos humanos aprisionados em casulos.

É uma ficção científica realmente assustadora. Mas, na opinião de Rodrigo Lara Mesquita, membro da família fundadora do Estadão, hoje no conselho do jornal, isso já acontece no jornalismo.


Em artigo na edição de julho da piauí, ele argumenta que a imprensa entrou com conteúdo nas redes sociais, pensando em usá-las como vitrine. Na verdade, e sem perceber, entregou a ela sua relação direta com o público, os dados de comportamento do leitor, a publicidade e o controle sobre a própria circulação, determinada por algoritmos que privilegiam não o conteúdo curado por critérios jornalísticos, mas o que provoca, irrita e retém.


Mais ainda: por meio do data scraping, as plataformas de IA usam conteúdo produzido por jornais como insumo para treinar seus modelos de controle sem remunerar as fontes originais. Os efeitos econômicos são visíveis: só nos EUA, 3.500 jornais fecharam em 20 anos, e o número de jornalistas caiu 60%, de 75 mil para 30 mil (2025).

Praticamente no mesmo dia em que o artigo de Mesquita foi publicado, a Folha de S.Paulo lançou uma ferramenta de IA que transforma reportagens em vídeos curtos, áudios, resumos e playlists personalizadas. Com uma diferença: os novos conteúdos não vão para plataformas de terceiros, mas para o site e o aplicativo móvel do jornal, restritos a assinantes. Redes sociais entram como canal de atração, não de entrega.


Por trás dessa interface, há parcerias com o programa News Pilot do Google e para alimentar o Gemini com conteúdo da Folha, não o contrário. A Folha está, em princípio, construindo uma arquitetura própria de relação com o público dentro do ambiente digital.


Uma pergunta que fica é se essa arquitetura é realmente própria, controlável, ou a troca de uma dependência digital por outra, ainda mais potente.


Será essa a saída para o jornalismo fora da Matrix?

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