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BLOG PIQUINI

Histórias no exterior: lições além do Muro de Berlim

  • há 12 minutos
  • 2 min de leitura
memória da queda do Muro de Berlim e reflexões sobre cultura e comportamento social

Ouro na prateleira dos supermercados


No canto de minha estante dedicado às guerras e revoluções, logo abaixo da fileira de livros de rock’n’roll, há uma miniatura de uma das imensas placas de concreto que formavam o Muro de Berlin. Sobre ela, há um caquinho pintado de vermelho que representa um pedaço do muro que, em 1989, foi derrubado a picaretadas, marretadas, facadas, tesouradas, pauladas e marteladas por multidões de alemães orientais querendo deserdar para o lado Ocidental da cidade. Comprei a lembrancinha no incrível, instrutivo e divertido Museu do Muro, ao lado do folclórico Checkpoint Charlie, o simbólico ponto divisor entre as “duas Alemanhas”.


Naquela época morávamos em no bairro Battersea, em Londres, bem perto daquela usina que foi capa do LP Animals, do Pink Floyd. Acompanhávamos a queda do muro pela TV já que o assunto era notícia 24 horas por dia, tudo muito excitante. Para dar uma ideia: logo nas primeiras horas do início do movimento, assistíamos a um debate jornalístico da BBC sobre os acontecimentos quando, de repente, uma pessoa entra esbaforidamente em cena e deposita um pedação de concreto na mesinha de centro do palco. Era uma lasca do muro que tinha vindo de avião direto da capital alemã.


A unificação das duas Alemanhas desencadeou a “queda dos dominós” do lado socialista: um a um, os regimes foram caindo e até URSS acabou, logo depois, revelando, do lado de lá, um mundo de privações que nós, ocidentais, nem podíamos imaginar. A diferença de desenvolvimento entre a Europa Oriental e a Ocidental era gigante, materializando-se na absoluta falta de qualidade de coisas prosaicas como móveis, cadernos, brinquedos, utensílios de cozinha. A carência das pessoas que viviam atrás da “Cortina de Ferro” era inacreditável.


No começo de nossa vida na Inglaterra, quando ainda dependíamos do trabalho em restaurantes, convivemos com imigrantes do lado de lá, que no fundo, são gente como a gente, pessoas legais e normais, e as venais e estranhas. Um ponto em comum é que entre eles, todos tinham uma meta clara na cabeça: durante os seis meses de visto na Inglaterra, trabalhar para ganhar o máximo possível em libras para, depois, retornar aos seus países de origem com a maior parte da grana economizada convertida em sabonetes, lingerie, cigarros e outros bens de consumo que lá não existiam. Itens comuns de prateleiras de supermercados em Londres valiam ouro na Polônia, na Hungria, na Tchecoslováquia...


Fizemos grandes amizades entre eles e, nesse convívio, a sensação que me marcou foi a atitude de “deixe estar” diante da vida, fazer o mínimo para manter a roda girando, sempre em busca das mínimas vantagens ou de menor esforço em qualquer situação. Talvez porque em seus ambientes de origem a regra da vida era o nivelamento por baixo. A ausência do conceito de mérito, impensável sob as circunstâncias em que viviam (e ainda muito combatido no Brasil, aliás), subjuga as iniciativas individuais e anula o “drive” da criação e da inovação. O resultado é a eternização da mediocridade, não como manifestação de caráter, mas de comportamento condicionado.

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