Projeto com “P” maiúsculo
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Instituto Minas Pela Paz: um projeto com impacto real
Há projetos que caem no nosso colo de maneira bastante fortuita. Em 2005, o então presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG), Robson Andrade, listou os 10 temas mais preocupantes para o empresariado e, em uma reunião do Conselho Estratégico da casa, que reunia os presidentes das 10 maiores empresas do estado, sorteou os “problemas” entre os presentes. Cledorvino Belini, na época presidente da holding Fiat, enfiou a mão no chapéu e tirou um papelzinho escrito “Segurança”. E me chamou para “fazer alguma coisa”.
Na época, eu era gerente de Comunicação e Relações Institucionais da Fiat do Brasil com experiência zero em segurança. Toca fazer pesquisa. Logo uma coisa chamou a atenção. A instituição São Paulo Contra a Violência havia recém-introduzido naquele estado o “disque-denúncia”, pelo qual a população podia passar informações de forma anônima para ajudar a atividade policial usando o número telefônico gratuito 181. Não havia nada parecido em Minas e pareceu ser uma boa ideia.
Fizemos o benchmarking, o pessoal da instituição paulista ajudou muito e uma ideia de projeto foi concebida. Os empresários do Conselho da FIEMG gostaram e indicaram representantes para compor um grupo de trabalho. Belini trouxe a consultora Betânia Tanure para me apoiar estrategicamente. Eu precisava mesmo de ajuda.
O desafio era convencer a Secretaria de Segurança do Estado, as Polícias Civil e Militar e os Bombeiros a formarem um “desk” compartilhado para receberem informações, fazerem a triagem e distribuí-las pelos canais adequados dentro das instituições. A ideia soava meio “alienígena”: o conceito era inédito, não havia estrutura, metodologia ou rotina para o trabalho e as relações entre as polícias não eram assim tão fluidas. Foram meses de negociações até conseguirmos um acordo básico e um desenho de cooperação.
Assim, em maio de 2007, nasceu o Instituto Minas Pela Paz (sugeri usar linguagem não violenta no nome), com suporte empresarial que, em agosto daquele ano, coordenou o nascimento do 181 em Minas (slogan de lançamento: “O importante é o que você diz, não quem você é!”). Resultado? Nos primeiros 15 anos do serviço foram 10 milhões de ligações e 1 milhão de denúncias apuradas.
O instituto ainda desbravou outras frentes. Com o Projeto Regresso, desenhado em parceria com a Associações de Proteção e Assistência aos Condenados (APAC), foi ampliado um programa de formação, qualificação e inserção profissional de recuperandos (ex-presos) no mercado de trabalho. Últimos números: 11 mil pessoas capacitadas, 2.500 pessoas reinseridas no mercado.
Deixei o Minas Pela Paz em 2009, por falta de tempo. Dia desses, vi uma apresentação da entidade e descobri que, liderada pelo diretor Maurílio Pedrosa, o gestor de projetos Enéas Melo e a gerente administrativa Luciana Pessoa, que entraram comigo na instituição e que estão por lá até hoje, o Minas Pela Paz desenvolve inúmeros projetos sociais de relevância.
Em um dos slides do PPT institucional a que assisti, aparece meu nome como primeiro coordenador da instituição. Parei para pensar: esse foi um projeto com “P” maiúsculo.




