Conquistando uma cidade
- 2 de mai.
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Relacionamento com comunidade: o case Iveco
Sou cidadão honorário de Sete Lagoas (MG). Para muitos, o título parece ser uma “bobeira”. Mas, para mim, a homenagem significa muito: é um reconhecimento do que construí com a cidade a partir do momento em que assumi a diretoria de comunicação da Iveco, em 2007. Naquela época, a fábrica da empresa em Sete Lagoas era “genérica”. Produzia caminhões Iveco e vans Fiat e, mesmo com 10 anos de funcionamento, era um ambiente sem “alma”: os empregados não eram nem Iveco nem Fiat. Pior: a cidade não conhecia a fábrica. As pessoas falavam mal da empresa, mesmo sendo ela a maior empregadora local.
Entre as inúmeras ações que desenvolvemos para corrigir essa situação, decidimos que a comunidade seria um público prioritário. Criamos um lema “Fortaleza Sete Lagoas” para materializar o objetivo de fazer com que os moradores passassem a admirar e a defender a Iveco, por boas razões.
Mapeamos todos os jornalistas dos jornais, revistas, tvs, fanzines e rádios locais, realizamos encontros regulares com na fábrica e passamos a convidá-los para eventos. Abrimos relações com a prefeitura e vereadores. Procuramos entidades como a associação comercial e começamos a participar de seminários e palestras. Patrocinamos a corrida da cidade, preparatória para a São Silvestre. Dentro do comitê de Estratégia de Marca, decidimos aplicar em Sete Lagoas todos os recursos incentivados que viéssemos a obter. Com esses recursos, entre outras coisas, restauramos o Teatro Redenção, fechado há anos.
No topo de tudo isso, criamos um evento de literatura: a Literata Iveco. E caprichamos, com identidade visual elaborada, realização a cargo de empresas especializadas e escritores convidados para abrilhantar os eventos. A primeira edição, em 2010, homenageou Guimarães Rosa, nascido em Cordisburgo, a 50km de Sete Lagoas. Em 2011, a personalidade tema foi Fernando Sabino. Em 2012, Monteiro Lobato, com o qual atingimos um pico: em quatro dias, 8.000 pessoas e mais 19 mil crianças da rede municipal de ensino participaram de palestras, leituras, oficinas, filmes e apresentações.
Foi um sucesso estrondoso. No último dia, chegando de carro com minha família na cidade, minha filha ficou surpresa ao ver personagens do Sítio do Picapau Amarelo, como o Visconde de Sabugosa e a Emília, caminhando defronte ao Casarão Nhô-Quim Drummond, na Praça Tiradentes, o centro nervoso da Literata. Mais à noite, ela se emocionou ao ganhar um livro autografado de Luis Fernando Veríssimo, um dos convidados daquela edição.
Com dezenas de ações desse tipo, quebramos barreiras de resistência e comemoramos com a cidade o espetacular crescimento da Iveco, que em cinco anos multiplicou sua produção por dez. Quando saí da empresa, em 2012, quem falasse mal da Iveco em Sete Lagoas tomava um pé na bunda e caía lá em Paraopeba.
Este texto faz parte da editoria Histórias do Piquini, uma série de memórias e bastidores que misturam ofício, estrada e repertório. Se esta história despertou algo em você, há outras esperando nos links abaixo.




