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Nomear projetos estratégicos: por que isso importa

  • Marco Piquini
  • 31 de jan.
  • 2 min de leitura


nomear projetos estratégicos como prática de comunicação e gestão dentro das empresas

JÁ DEU NOME AO SEU PROJETO?

Entrei na Fiat em 1995, direto na equipe do Projeto 178, o projeto do carro mundial Palio. Meu trabalho foi escrever o press-release e, em parceria com o Ufficio Stampa italiano da empresa, coordenar sua tradução para as sete línguas dos países onde o carro seria vendido. Mas por que o nome Projeto 178? É que projetos que envolvem privacidade extrema podem ser nomeados com números ou outros nomes de despiste porque precisam “esconder” informações estratégicas. Nesse caso, o nome real do futuro produto no mercado só poderia ser revelado no lançamento.


Mas projetos podem ter nomes mais explícitos em relação a seus objetivos. Esse é um caminho que pode trazer vantagens. Um nome literal, bastante indicativo e direto, ajuda a equipe a “materializar” o objetivo a ser alcançado. Gera aglutinação de atenção e foco no “onde” se quer chegar. Dá um caráter forte ao projeto. Indica sua importância e ajuda a posicioná-lo junto ao centro de decisão da empresa, onde disputa tempo de atenção - e investimento - com outros projetos.


Há também os nomes de projetos que se impõem naturalmente, quase sem querer. Isso acontece quando, de forma espontânea, as pessoas envolvidas no trabalho começam a se referir a ele com uma palavra ou expressão que, repetida continuamente, ganha momento, unidade de uso e, bingo: mais um projeto foi batizado.

Mas projetos também podem ter nomes simbólicos, metafóricos, quase “apelidos”. Essa é uma opção para projetos que lidam com questões polêmicas, complexas e difíceis de explicar. O uso de um nome fantasia cria uma espécie de “universo” próprio e fechado, que envelopa toda a sua “complicação” em um conceito comum, um resumo de entendimento quanto ao seu objetivo. 


A propósito deste último caso: a forma como a Polícia Federal nomeia suas operações é exemplar. Combinando criatividade, referências cultuais, históricas e contextuais, com muito humor, os delegados da PF criam frequentes obras-primas. Operação Carne-fraca: contra a sonegação de frigoríficos. Operação Farol da Barra: de combate ao tráfico internacional de drogas. Operação Deus Tá Vendo: contra a má conduta de pastores evangélicos. Carbono Oculto: que investiga as fraudes do Banco Master. E tantas outras.


E você, qual técnica utiliza para nomear seus projetos?

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