Pensando em várias línguas
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Pensamento multilíngue e o impacto dos idiomas nas ideias
Outro dia, o Carlos Ghosn (lembra dele?) apareceu na minha timeline dando dicas de gestão, ambiente executivo e vida pessoal em vídeos curtinhos, bem-feitos, cheios de bom senso, sabedoria e com insights reveladores. Fiquei curioso porque eu não esperava vê-lo em sessões tão explícitas de autoexposição depois daquela fuga cinematográfica do Japão, há seis anos, “contrabandeado” dentro de uma caixa de instrumentos musicais às vésperas de seu julgamento por má conduta administrativa.
Suas intervenções digitais variam bastante e são sempre interessantes. Veja essa:
“Pensamento multilíngue pode ser uma ferramenta estratégica muito importante. Pensamento vem antes de usarmos a linguagem. Então, você tem que estruturá-lo e comunicá-lo. É então que a língua intervém. O francês é excelente para pensamentos muito bem estruturados. Inglês é sobre franqueza, efetividade. Português é para expressar cordialidade e emoções. Árabe é uma língua extremamente rica, boa para nuances e textura. Ser capaz de falar essas línguas e pensar nessas línguas pode ser bastante estratégico e útil em sua comunicação.”
Ele fala todas essas línguas acima, incluindo o Português. Ele nasceu em Rondônia, filho de imigrantes libaneses. A ideia dele sobre linguagem me chamou a atenção porque, multilíngue como ele, concordo integralmente com o benefício de se pensar em várias línguas ao mesmo tempo.
Muitas vezes, ao articular uma ideia, vem-me à mente uma expressão em inglês ou italiano e, antes de pronunciá-la, por uma dessas mágicas mentais instantâneas ou quase instantâneas, faço a análise comparativa entre as várias possibilidades oferecidas pelo meu catálogo de palavras em línguas diferentes e o resultado, quase sempre, é que acabo definindo, por tradução direta ou associações, a palavra em português que melhor transmite aquilo que quero dizer. Às vezes uso a palavra em língua estrangeira, quando cabe, para reforço de expressão. Na escrita é a mesma coisa: com uma gramática adicional e palavras e expressões diferentes daquelas de minha língua-mãe, ganho flexibilidade e riqueza de vocabulário.
Ainda sobre o Carlos Ghosn: ele nega veementemente ter feito qualquer coisa de errado e acusa a Nissan de ter promovido um “assassinato de caráter” ao acusá-lo de “wrongdoing”. Escapou porque sentia que não seria julgado de forma correta. Hoje vive no Líbano. “Recuperei minha narrativa”, diz ele, em várias línguas.




