top of page

BLOG PIQUINI

O Moby Dick em cada um de nós

  • há 2 horas
  • 2 min de leitura
Dois volumes antigos de Moby Dick, de Herman Melville, publicados pela Livraria José Olympio Editora, aparecem sobre uma superfície escura ao lado de uma pequena baleia de madeira esculpida. Fotografia em preto e branco.

Moby Dick, amizade e o poder de ouvir com atenção


Houve uma época em que eu andava com a cabeça tomada por um livro ilustrado sobre a mítica editora José Olympio (JO), editado pela Sextante/Topbooks. Uma daquelas edições de capa dura, de se colocar na sala para “fazer vista”. Além da história da editora, muito bem-organizada pelo jornalista José Mario Pereira, o livrão é recheado de fotos de personagens literários, capas de livros, ilustrações, imagens de objetos, além de coleções maravilhosas que foram lançadas pela JO.


Folheava aquilo quase todo dia. Me enamorei, por exemplo, de uma edição encadernada em couro vermelho do Dostoiévsky, em 12 volumes, que de longe parece a Barsa (comprei a coleção completa em um sebo no Edifício Maletta, em Belo Horizonte). E me apaixonei por uma edição em dois volumes de Moby Dick, de 1957, ano em que nasci. A ilustração da capa me atraía como um ímã: uma baleeira sobreposta a um rosto sombrio do Capitão Ahab.

Nesse estado de espírito, desembarquei um dia em Porto Alegre para fazer uma palestra em nome da Iveco. Fui recebido pelo concessionário local, meu amigo Marcio Biasuz, e no almoço, comentando sobre um monte de coisas, desembestei a falar sobre o livro Moby Dick. Foi uma daquelas torrentes verbais que às vezes, no entusiasmo, despejamos sobre ouvidos incautos. Só percebemos, meio embaraçados, quando cansamos do som da nossa própria voz.


O Márcio deve ter ficado meio perplexo, penso eu hoje, lembrando da situação. Na hora, ele ouviu com grande atenção e, ao final do meu discurso, pediu que eu escrevesse as informações em um guardanapo. Então, se despediu.


À noite, quando retornei do evento, um pacote me esperava na recepção do hotel. Lá estavam eles: os dois volumes de Moby Dick, edição original de 1957, Editora José Olympio, com prefácio da Raquel de Queiroz, ilustrações do americano Rockwell Kent e do Poty Lazzarotto, com charmosas bordas não guilhotinadas. Usados, mas intactos. Incrível.


Como ele os conseguiu? Com uma amiga da Academia Rio-Grandense de Letras. Quando agradeci, ele deu uma risadinha e disse que amigo era para essas e outras coisas. Como para escutar a gente com atenção, algo raro, avalio hoje.


Moby Dick é uma representação literária das obsessões que destroem o ser humano. O presente do Márcio me livrou daquela inocente ideia fixa. Encadernei os dois volumes em papel manteiga, para conservar. Li-os em 10 dias, lá em Ubatuba. Hoje estão em minha estante, entre Ian McEwan e Henry Miller.


Esse texto faz parte da editoria Histórias do Piquini, uma série de memórias e bastidores que misturam ofício, estrada e repertório. Confira, nos links abaixo, outros textos do Piquini sobre temas relacionados.

FALE CONOSCO

Pronto para acelerar a mudança na sua empresa?
piquini@piquini.com.br

Tel: (31) 98769-2704
  • LinkedIn
  • Instagram
  • Facebook Clean
Logotipo_Piquini_Negativo branco.png
1.png
bandeiras.png
2.png

Mensagem enviada com sucesso. Em breve, entraremos em contato com você.

bottom of page