Realidade nas redes: o que O Show de Truman revela
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Como isso vai terminar?
Neste “Dia da Mentira”, perguntamos, provocativamente: quanto do que vivemos é uma mentira?
Para ajudar nesse raciocínio, lembramos de Truman Burbank, personagem do filme “O Show de Truman - O Show da Vida”, de 1998. Com quase 30 anos, Truman (Jim Carrey) vive uma vida de faz de conta. Desde que nasceu, e sem o saber, ele é o personagem principal de um reality show de TV acompanhado por milhões de pessoas. O filme, lançado há 28 anos, traça paralelos que podem nos ajudar a pensar criticamente.
Nele, o criador e diretor do reality show, o Big Brother que comanda a vida de Truman por detrás das câmeras, comenta que as pessoas deixam a TV ligada o tempo todo por uma questão de “conforto”, ou seja, não precisam pensar por si mesmas. Nos dias de hoje, não fazemos o mesmo com o celular? Passamos muito tempo de olho na telinha, hipnotizados, alheios ao mundo real à nossa volta.
Truman não tem privacidade: cinco mil câmeras de estúdio vigiam tudo o que ele faz. Enquanto ele não tem controle sobre isso, nós, por vontade própria, somos nossos próprios “Big Brothers”, registrando em foto e vídeo como vivemos, com quem estamos, o que fazemos e o que consumimos. Quem vê o “O Show de Truman” sabe que a vida do personagem é falsa, um roteiro predeterminado. E nós? Quanto da vida que publicamos nas redes são “edições” que não refletem totalmente a realidade do nosso cotidiano?
Os produtos consumidos por Truman são objeto de merchandising, publicidade paga pelos patrocinadores do “show” ao canal de TV. Enquanto nós fazemos “merchan” voluntário de nossas aquisições, sem receber nada pela publicidade gratuita e ostensiva que fazemos.
Um dia, no filme, uma falha de continuidade desperta a atenção de Truman para algo estranho acerca de seu mundo. Em outro momento, uma luminária cai do teto do estúdio-redoma, ampliando suas suspeitas. A história se desdobra até que ele encontra uma saída de seu confinamento. Fim do show.
O que poderia acontecer para nos fazer furar a bolha em que vivemos?
O mote da campanha para promover o reality show era “How is it going to end?” (“Como isso vai terminar?”), instigando as pessoas a acompanharem, no dia seguinte, a vida de Truman.
Neste Dia da Mentira, talvez seja essa uma pergunta que devêssemos fazer a nós mesmos: “Como isso vai terminar?”




