

Correspondente brasileiro em Londres: encontro com a história
Encontro marcado com minha história Uma das grandes burradas que fiz ao me mudar para a Europa, pensando em ser correspondente internacional, foi não ter levado comigo uma máquina de escrever. Dá para acreditar? Mas foi assim. Somente em 1986, quando morávamos em meio ao Clapham Common, parque gigante ao sul de Londres, encontrei à venda em um brechó ali perto uma daquelas Remingtons antigas, pesadas, cinza-escuro, com teclas pretas em escadinha. “Martelei” muito nela. Escre


Comunicação no C-level: o que mudou nas empresas
Uma mudança de status “escrita nas estrelas” O jornal Valor Econômico publicou dia 26 de março um artigo de página inteira com o título “Diretores de comunicação ganham mais funções nas organizações”. Assinado pela jornalista Fernanda Gonçalves, a peça está na sessão Empresas/Carreira do jornal e tem uma chamadinha em detaque: “C-Level”. Coloque no google: “C-level (ou C-suite) refere-se ao mais alto escalão executivo de uma empresa, composto por diretores e líderes cujos ca


Histórias no exterior: lições além do Muro de Berlim
Ouro na prateleira dos supermercados No canto de minha estante dedicado às guerras e revoluções, logo abaixo da fileira de livros de rock’n’roll, há uma miniatura de uma das imensas placas de concreto que formavam o Muro de Berlin. Sobre ela, há um caquinho pintado de vermelho que representa um pedaço do muro que, em 1989, foi derrubado a picaretadas, marretadas, facadas, tesouradas, pauladas e marteladas por multidões de alemães orientais querendo deserdar para o lado Ociden


O sentido das coisas
Quando eu era bem pequeno, molequinho, morávamos em uma casa atrás do escritório de despachante de meu pai, em São Bernardo. Ele chegava à noite, batia na porta e, antes que pudéssemos perguntar quem era, ele falava com voz grossa, do lado de fora: “Quem sabe o mal que se esconde nos corações humanos?” Eu e meus irmãozinhos ficávamos quietos, esperando a continuidade de um roteiro que conhecíamos muito bem e que sempre terminava com ele mesmo respondendo: “O Sombra sabe!”. E


Escalpelamento Literário
Memórias da Livraria Siciliano em São Bernardo Meus livros possuem “chaves de memória”. Pode ser uma capa, uma anotação rabiscada à margem, o ingresso de um jogo de futebol de 30 anos atrás usado como marcador de página. Quando eu os folheio e bato o olho em um desses vestígios, em um passe de mágica roda um filme em minha cabeça, com detalhes fulgurantes na forma de pessoas, palavras, cores, cheiros, sentimentos. Admirando uma edição antiga do livro Casa Grande & Senzala, do


O precursor dos pichadores
Cão Fila KM26: a pichação que virou lenda no Brasil Há uns 50 anos, bastante tempo, quem andava pelas precárias e poeirentas estradas do Brasil frequentemente dava de cara com uma pichação feita em barrancos, em latões, nas paredes de construções abandonadas, atrás de placas de sinalização, debaixo de viadutos, muros, ou seja, em qualquer lugar em que desse para escrever, uma frase enigmática: “CÃO FILA KM26”, marcada em pinceladas grossas de tinta branca. Às vezes, vinha res


A primeira humilhação a gente nunca esquece
Antes de publicar nas redes sociais, é preciso compreender a estratégia da empresa. Comunicação não começa pelo post, mas pelo diagnóstico do negócio. Sem direção, o conteúdo vira improviso e compromete o posicionamento da marca.


Construção de equipes de alta performance na prática
PERDEMOS UM CAMPEONATO, GANHAMOS UMA EQUIPE! Um dos trabalhos mais legais que já fiz na vida foi ser coordenador de uma equipe de competição. No caso, a Scuderia Iveco, na F-Truck. Começamos da prancheta: desenvolvimento do caminhão, do motor, montagem de equipe, logística, tudo. Uma luta cheia de altos e baixos. Foram quatro anos de batalha até começarmos a vencer. Em 2012, fomos para o Autódromo Oscar Cabalén, em Córdoba, na Argentina, com chances de sermos os campeões no C


Nomear projetos estratégicos: por que isso importa
JÁ DEU NOME AO SEU PROJETO? Entrei na Fiat em 1995, direto na equipe do Projeto 178, o projeto do carro mundial Palio. Meu trabalho foi escrever o press-release e, em parceria com o Ufficio Stampa italiano da empresa, coordenar sua tradução para as sete línguas dos países onde o carro seria vendido. Mas por que o nome Projeto 178? É que projetos que envolvem privacidade extrema podem ser nomeados com números ou outros nomes de despiste porque precisam “esconder” informações e


Você conversa com suas estantes? Memória cultural e livros
Você conversa com suas estantes? “Quando eu crescer, eu quero ser o Nelson Motta.” Sempre disse isso para mim mesmo. Ele é um cara boa-pinta, estiloso, erudito sem ser arrogante, polivalente (jornalista, crítico musical, escritor, compositor, apresentador de TV e muito mais). Sempre envolvido em projetos relevantes e marcantes. Acompanho tudo o que ele faz, inclusive suas redes sociais. Em um post recente, ele diz ter “desapegado” de seus livros e discos de forma radical. Deu

