JORNALISTAS MERECEM NOSSO RESPEITO


Em 1977, há 44 anos, acompanhado de meu pai, entrei na sede da Folha de S. Bernardo, numa casinha ao lado da Igreja Matriz da cidade. Papai conhecia o pessoal lá, amigos de relacionamento e de carteado dele. Eu estudava Comunicação e estava para escolher entre publicidade ou jornalismo. A ideia era simples: quem sabe se ficando por ali um tempo eu conseguiria tomar uma decisão.


Depois de alguns trabalhos pequenos (acidentes de trânsito, uma crônica...), ganhei a missão de escrever a história do Esporte Club São Bernardo, que em fevereiro de 1978 celebraria gloriosos 50 anos de vida. Mergulhei de cabeça: escrevi o bastante para encher oito páginas de jornal, com entrevistas de ex-jogadores famosos, fotos nunca vistas, muita coisa. Os donos do jornal ficaram surpresos (esperavam coisa menor) e felizes (venderam muita publicidade). Ganhei até um prêmio da Câmara Municipal pelo trabalho.


Ficou fácil escolher. Da Folha de S. Bernardo fui para a Gazeta de S. Bernardo, Diário do Grande ABC, sucursal do Estadão no ABC, cobrindo as greves dos metalúrgicos e a abertura política do país (os grandes acontecimentos históricos da época), enquanto aprendia a arte de olhar, perguntar, ouvir e escrever. Depois, foram sete anos em Londres, como correspondente freelancer. Voltei ao Brasil, para a Agência Estado e economia do Estadão, onde acompanhei a implantação do Plano Real (outro momento histórico).


Em 1994, mudei de lado no balcão: fui para a comunicação corporativa, onde passei a ter jornalistas como “clientes”. Comecei a gerar informação para a imprensa, ainda que “chapa branca”, isso é, informação de interesse das empresas para as quais trabalhei e dos clientes de minha agência de comunicação.


Nessa nova profissão, ajudou muito entender as circunstâncias do difícil trabalho do jornalista: prazos apertados, acesso limitado às fontes e à informação correta, ter o faro do que é “notícia”, a complexidade de escrever um texto sintético, límpido e preciso. Com esse conhecimento íntimo do “lado de lá”, consigo mostrar ao “lado de cá” como a coisa funciona e como devemos tratar a imprensa.


Nesse caso, a ética é a verdade. Sempre dar ao jornalista o que ele precisa: fatos. Em um recente caso complexo, porque sujeito a muitas interpretações, aconselhamos o cliente: “Jornalistas trabalham com fatos, apresente-os como aconteceram.” Não deu outra: o caso foi tratado de maneira justa pela imprensa.


Preocupa saber que o momento não está fácil para os jornalistas, que estão sob ataque dos tresloucados exércitos das fake news, arregimentados pela polarização política e impulsionados pelos algoritmos das redes sociais. Há até casos de ataques a jornalistas nas ruas. Não bastasse isso, o Brasil é o país do mundo com o maior número de jornalistas mortos pela Covid-19. Você sabia disso?


Tudo isso para dizer que neste 7 de abril, dia do jornalista, não basta enaltecer a importância da data e da profissão. Os jornalistas merecem mais: eles merecem nosso respeito.

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