Comunicação interna estratégica | Diário de um Gestor de Comunicação – Episódio 8
- Marco Piquini
- há 3 dias
- 2 min de leitura
Atualizado: há 2 dias

Conte primeiro para o público interno
Um dos pontos básicos para que uma estratégia empresarial dê certo é a adesão da empresa inteira à estratégia. Do presidente ao porteiro, todos têm de fazer o que se espera de cada um para que os projetos andem de acordo com o esperado. É por isso que, na Comunicação Estratégica, o público interno é um dos stakeholders mais importantes: a coisa tem de começar primeiro, e direito, dentro de casa. Todos devem virar “guerreiros” da empresa.
Esse foi um dos segredos dos exércitos de Napoleão. Seus soldados não iam apenas para as batalhas. Eles estavam imbuídos do espírito da Revolução Francesa: eles iriam derrubar as monarquias da Europa para o bem da França. Esse era um “motivo superior”, uma visão. E o segredo para promover o engajamento da empresa é fazer com que a estratégia vire uma visão compartilhada por todos. Essa é uma das mais nobres tarefas a cargo de um Gestor de Comunicação. Não se engane.
Imagine que a empresa tenha um ousado plano estratégico de três anos, prevendo expansão em novos mercados e crescimento de vendas. Para isso, precisa aumentar a qualidade. A empresa então adota um novo sistema de gestão (ERP) para organizar o trabalho. E aí a coisa azeda: a ferramenta é recebida com frieza pelos empregados e a implantação da ferramenta não anda bem. O que pode ter acontecido? Bem, as pessoas podem ter entendido a mudança como “mais trabalho” ou “mais controle”. E elas não estão totalmente erradas: o plano vai exigir maior concentração e maior entrega, e quem está acomodado ou confortável sentiu que as coisas irão mudar.
A saída nesses casos é contextualizar a estratégia e promover o envolvimento dos empregados. Eles têm de comprar um “sonho”. A eles deve ser passada uma visão do que a empresa pretende ser, como ela vai ficar depois do plano, quais os benefícios que ela poderá trazer para todo mundo. “O plano vai fazer a empresa mudar de patamar, vai ser mais segura, daí a necessidade do novo sistema”, diz a empresa. “Meu trabalho vai ficar mais interessante, o sistema vai mostrar que eu fiz o que devia, vou crescer com ele”, pode reagir o empregado diante da ideia.
É tarefa do Gestor de Comunicação e sua equipe, em conjunto com o RH, criar um “sentido” não apenas técnico, mas também humano, à estratégia da corporação. Uma narrativa envolvente e simples de entender: por que e o que precisa ser feito, como deve ser feito, o papel de cada um dentro do plano. Criar campanhas. Treinar as lideranças e, por meio da cadeia de comando, repassar essas informações para o “chão” da empresa. É um trabalho permanente, com fluxo crescente de detalhes, incluindo a comunicação de “vitórias” na jornada da estratégia da empresa. Existem ferramentas digitais inovadoras à disposição hoje que ajudam nessa tarefa.
Empresas cometem erros ao empurrar adiante suas novidades por meio de simples “ordens” ou comunicados burocráticos. Mas tudo fica mais fácil e eficiente se a comunicação for feita de forma envolvente, com uma pitada de sonho. Não é esse um trabalho instigante?









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