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Uma antena conectada com o mundo | Diário de um Gestor de Comunicação – Episódio 10

  • Marco Piquini
  • há 2 dias
  • 2 min de leitura
desinformação digital e consumo acelerado de conteúdos verossímeis antes da checagem

Nós, comunicadores, somos transversais. Ao contrário de outras áreas da empresa, que operam em “silos” mais ou menos herméticos, ensimesmados, relacionando-se prioritariamente com os seus pares de trabalho, a Comunicação trabalha para os lados. Pelas características e necessidades de nosso trabalho, nos relacionamos com todas as áreas internas e com todos os stakeholders da empresa. Conversamos com todo o mundo, olhamos para tudo o que nos cerca. É uma particularidade de nossa formação humanística.


Quer um exemplo? Nos anos 1990 e 2000, quando a sustentabilidade ainda era uma preocupação incipiente na maioria das empresas, o tema já era assunto da turma da Comunicação. Isso foi muito tempo antes do ESG ganhar o status que tem hoje. E adivinhe: hoje, o ESG é tratado com imensa seriedade no mundo corporativo e, em muitos, muitos casos, as diretorias ligadas ao assunto da sustentabilidade estão sob a responsabilidade de profissionais oriundos da Comunicação. 


Funcionamos como “antenas para o mundo”. Com atenção e sensibilidade, olhamos em volta, registramos a evolução cultural, tendências sociais, inovações tecnológicas. Eu até apostaria que hoje, em boa parte das empresas, é na Comunicação o local onde IA vem sendo mais explorada. Não me surpreenderia se, em um futuro próximo, os comunicadores estivessem à frente ou colaborando nas frentes de aplicação da inteligência artificial aos negócios, lá no alto da escada corporativa. 


Profissionalmente, podemos usar essa característica de forma inteligente, a nosso favor. A capacidade de ver e pensar a empresa como uma organização integrada, e de como essa organização se relaciona com o mundo em diversas frentes de atividades e conexões, nos transforma em um poderoso elemento de agregação e de eficiência. 

Internamente, ajudamos a “quebrar” o isolamento entre as áreas, trabalhamos uma cultura agregadora comum e geramos o alinhamento de todos aos objetivos gerais da organização. Externamente, promovemos a imagem e a estratégia da marca de forma coerente junto a todos os públicos, algo que é intangível, mas valioso.


Pense agora nas oportunidades que essas características oferecem ao gestor de Comunicação. Essa capacidade de diálogo com várias áreas internas é um diferencial estratégico, seja para contribuir com a empresa ou para subir na “cadeia alimentar” profissional. Fora dos portões da empresa, o gestor de Comunicação tem as conexões que lhe permitem interagir de forma ampla, captar insights e, assim, antever e aproveitar oportunidades ou prever e gerenciar crises. 


Essa mobilidade lateral faz do gestor de comunicação um protagonista na transformação empresarial.


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